Malba Tahan Newsletternº7 - A Matemática Divertida no Almanaque BertrandAgosto de 2001Em Junho, esta Newsletter passou a ser publicada também no site Parque.com, o Portal das Newsletters (http://www.parque.com/portuguese/dsp_newsletter.cfm?nl=517). Desde então, tem recebido muitos pedidos de inscrição. Obrigado a todos pelo incentivo. No ano passado, visitando a Biblioteca da Universidade Católica Portuguesa, encontrei uma colecção completa do saudoso Almanaque Bertrand! Não sei se você conheceu o Almanaque Bertrand. Mas eu lembrei-me de como gostava, quando criança no Brasil, de ler edições antigas que pertenciam a meus pais, com um estilo de escrita tão saboroso da época, divertindo-me especialmente com os quebra-cabeças matemáticos. Descobri que seu primeiro número foi o referente a 1900 e lembrei-me, também, que 2000 foi o Ano Internacional da Matemática. Achei, então, que valia a pena juntar essas coincidências e homenagear o Almanaque Bertrand pelo seu centenário, pelo seu contributo na difusão dos quebra-cabeças matemáticos e na valorização da Matemática Recreativa como interessante, lúdica, desafiadora, divertida e variada. Espero que goste.
O centenário do BertrandA primitiva Livraria Bertrand foi fundada na primeira metade do século XVIII pelos franceses irmãos Bertrand e, após uma série de percalços económicos em mãos de seus sucessores, esteve para fechar em 1893. Nesta altura, a Livraria Bertrand era ponto de encontro e discussão dos intelectuais já há gerações e José Gregório Mamede Campos Bastos, seu ex-director, fez um esforço para salvar a firma Bertrand e essa cultura que nela se havia formado. Talvez, então, para comemorar tal sucesso, lançou um almanaque, o Almanaque Bertrand, em 1899, que sobreviveu até 1969. Tal como seus congéneres, o Almanaque Bertrand esforçou-se sempre por ser obra "muito noticiosa, muito variada, muito encyclopedica" , enfatizando "o deleite, a distracção e a utilidade". Assim, dizia José Bastos que os problemas, enigmas e jogos, "que, em avultado numero, propômos á sagacidade dos nossos leitores, visam a dar-lhes uma distracção intellectual de ordem elevada, e procuram ser dignos de occupar intelligencias que se não comprazem em descer a absolutas frivolidades." O Almanaque Bertrand cuidava, porém, de que os problemas preservassem seu carácter lúdico, fugindo "discretamente, de cultivar apenas transcendencias, só accessiveis a poucos" e dirigindo-se a "quasi todos os que los lêem, não demandando mais do que uma certa vivacidade cerebral, que o proprio exercicio attento póde ainda desenvolver ou determinar." Agora, que tal alguns exemplos de problemas matemáticos de dificuldade variada, extraídos do Almanaque Bertrand para 1900? A grafia original foi mantida em benefício dos saudosistas do Almanaque Bertrand e para a curiosidade dos leitores actuais:
Parece que, na época áurea do Almanaque Bertrand, os quebra-cabeças faziam parte da cultura popular, a par das adivinhas, cantigas e jogos de salão. Hoje, os quebra-cabeças são o tormento dos estudantes. O que se passou entretanto? Trechos extraídos de 'Correspondência' in "Almanach Bertrand para 1901", José Bastos (ed.), Lisboa, 1900, pp. 314-315. Se souber mais algo sobre este assunto, por favor, escreva-me para matemati@reniza.com. ------------------ Até Setembro!Renato Santos
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